Música e sonho - Trio Asas do Forró

Trio Asas do Forró, na foto menor no canto superior a direita: Ronnie, Cosme na sanfona e Damião no vocal


Amigos,

Para mim a história do Trio Asas do Forró começa com uma maritaca... isso mesmo, vou explicar...


Certo dia caminhando por Laranjeiras avistei uma maritaca no chão, perdida, pelo visto caira de uma gaiola e não sabia voar, fiquei parado sem saber o que fazer com o animalzinho assustado. Derrepente apareceu o porteiro do edifício cuja calçada eu estava, não conhecia, era o Ronnie. Trouxe uma pequena caixa de papelão para socorrer a ave,  como nenhum de nós podia ficar com o animal terminamos entregando-o a um senhor que caminhava pela rua e disse que tinha pássaros em sua casa.


detalhe da sanfona Todeishine zerada recém adiquirida pelo trio
Daí por diante, todos os dias quando passava em frente ao prédio do Ronnie passei a cumprimentá-lo até que um dia vi a foto dele numa reportagem no Globo ou Jornal o Dia, não lembro ao certo, foi quando descobri que integrava o Trio Asas do Forró.

Certo dia fui além de um mero bom dia e boa tarde, conversamos e ele quando soube que eu fotografava me convidou para um dia tirar umas fotos de uma das apresentações deles. Depois de muitos desencontros de horários, finalmente esse dia chegou, na verdade essa noite foi no último sábado 10 de dezembro.


cenas de nossa aventura até chegarmos ao local onde o Trio Asas do Forró iria se apresentar

"VAmos tocar numa festa lá em Ramos", foi o que ele me disse. Não deu muitos detalhes, também não perguntei e naquela noite tomamos um ônibus até o Rio Comprido e de lá uma Van nos levou para "Ramos" que só depois no trajeto descobri se tratar de uma festa na Grota Funda no Complexo do Alemão.


detalhe de um do becos da comunidade por onde passamos com os equipamentos de som

detalhe do acesso da "laje" onde o Trio foi se apresentar

Imaginem só a minha cara, quando entre os vidros embaçados da van, que estava lotada de gente e quipamentos de som, avistei uns soldados do exercito que guarneciam a entrada da comunidade em que entrávamos... a van passou por eles sem ser revistada e seguimos por inumeras ruas estreitas. Eu nunca havia na minha vida entrado numa comunidade, estava bastante assustando, quando algumas quadras depois, já bastante adiantados dentro do Complexo do Alemão nossa van atolou e foi "engolida" pela lama. Daí fomos obrigados a seguir a pé carregando os equipamentos sob um fino sereno, logo após havermos retirado a van da lama.



aniversariante no detalhe com esposo, meu "pratinho" e a belíssima bandeira da seleção tricolor

interessante, eu contava originalmente só com o fato de tirar umas fotos do Trio, porque não sabia se
 as pessoas iriam gostar  de um estranho por ali com um câmera, para minha surpresa, adoraram a idéia e
 volta e meia alguém me chamava para tirar uma fotografia, gostei muito disso...

a criançada adorou ser fotografada

todas crianças lindas

como essa danadinha aqui, fugia de mim o tempo inteiro, não deixava eu fotografá-la, mas me seguiu boa parte da festa...


Só me acalmei quando cheguei na festa em que eles iriam tocar. Na verdade uma festa de aniversário de conhecidos deles, uma comunidade de paraibanos super motivada, alegres e gentis, sobretudo, exìmios dançarinos de forró. Eles me trataram tão bem, me deixaram muito á vontade que eu até consegui olhar a volta da laje onde estávamos admirar-me da beleza das luzes incandecentes das casas nas encostas dos morros.


festa de paraibanos... cachaça devidamente importada da Paraiba que fez sucesso,
 o máximo que fiz foi cheirar um copo, beber, nem sonhando !

a festa tinha excelentes casais dançarinos

este senhor aqui então foi o verdadeiro pé de valsa da noite, dançou
 muito fez fila  de pretendentes para dançar com ele
Se realmente o que vi não foi uma mera exceção na comunidade, posso afirmar que o trabalho das UPPs, Unidades Policial Pacificadoras do Governador Sérgio Cabral está dando certo. Entrei anoite numa área que pouco tempo atrás nem a policia conseguia chegar, não vi ninguém armado ou muito menos consumindo ou vendendo drogas.Aliás, todos que vi, me pareceram gente de bem.

a lua se deixa ver também bonita no Complexo do Alemão

gostei dessa foto

essa moça fotografou muito bem


Antes de chegar lá, quando aguardávamos a van no Rio Comprido, Ronny me falou um pouco da história do Trio Asas do Forró. Segundo ele, em linhas gerais, o grupo originalmente formado pelos integrantes Damião, vocalista e zabumbeiro, e Cristiano, que não conheci e toca sanfona, fizeram os primeiros trabalhos da banda na Paraiba. Depois no Rio de Janeiro foi que vieram outros dois integrantes também Paraibanos, Cosme, sanfanoeiro de Caraubas e o Ronny, cantor e tocador de triângulo, de Gado Bravo também estado da Paraiba.

Paraná, baixista, gente fina, fala mansa, tranquilão...


Pelo que pude notar, além de serem paraibanos e músicos do forró, o destino ainda lhes reservou outra afinidade, todos são porteiros na zona sul do Rio de Janeiro, e como só recentemente estão conseguindo shows semanais, porque antes só faziam shows entre maio e julho, não ganham ainda o suficiente para dedicarem-se integralmente a banda.

Levam uma vida muito comum a dos migrantes nordestinos no sudeste brasileiro, privação, sobretudo, humilhações diárias de nossa clásse média com sua moral seletiva. Eles contam as histórias sem rancor, mas você percebe que no relato não há raiva ou muito menos resignação, não querem só evitar isso para os filhos, eles mesmos querem outra vida e a música, especialmente o reconhecimento do público cada vez maior dentro e fora da comunidade dos nordestinos, está sinalizando que esse sonho realmente vai se concretizar.

Damião, zabumbeiro e vocalista do Trio Asas do Forró

Como diz o nome, é um trio, mas na verdade são 4, Ronnie, Cosme, Damião e Cristiano. Se apresentam sempre três, geralmente Ronnie, Damião e variando ou Cosme ou Cristiano tocando a sanfona do grupo, aliás, uma sanfona cara comprada com muito esforço por eles recentemente. Há ainda o Paraná, baixista conhecido do meio musical carioca que atua como músico do trio nos últimos meses.

Segundo Ronnie, eles têm um grande repertório músicas de forró, que no geral são de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Elba Ramalho, Fala Mansa, Aviões do Forró e outros... estão para gravar um cd em breve e tocam semanalmente em vários e variados lugares no Rio de Janeiro.

Tocam em festas de colégios, como já fizeram no Lycèe Moliere, Santo Inácio, festa de aniversário de filhos de celebridades, ou mesmo festas de pessoas comuns que gostam de forró pé de serra, quer dizer, forró típico onde há a figura do zabumbeiro e do tocador de triângulo, além é claro do sanfonista. Sobre tocar em apresentações Ronnie me contou que a primeira vez que participou profissionalmente da banda, em 2006, foi numa apresentação no Hospital Pisquiátrico Pinel, Urca, Rio de Janeiro, como ele conta foi "muito difícil Deus me perdoe, não foi por orgulho nem nada”, mas ele não se sentiu bem, apesar de todos os pacientes terem reagido bem a música, “qualquer um pode cair numa situação dessa” comentou entristecido...


pequeno video que fiz do Trio Asas dó Forró

Foi graças ao atraso em nossa saída na van que pude ter um longa conversa com o Ronnie e em parte também com o Cristiano que chegou depois. Pena que não pude conversar com o Damião que já estava na festa nos aguardando. Mas, o Ronnie se revelou para mim uma pessoa cheia de vida, planos esperanças, com os pés no chão, sem arrogãncias ou devaneios. Foi aí que me lembrei de um coisa que escrevi aqui nas folhas do Baião quando me referi ao grande apoio e estímulo que recebi de frentistas de postos de gasolinas por aí no Brasil nas viagens de moto que fiz sozinho, infelizmente somos condicionados a ter interesse no assunto dos letrados, das pessoas reconhecidas como intelectuais, como o doutor médico, o doutor advogado, o jornalista, o escritor, e esquecemos que grandes e valiosos pedaços de verdade sobre a vida podem ser extraídos de conversas despretensiosas e simples com pessoas que dia a dia ignoramos ou, quem sabe mesmo, desprezamos...

detalhe do Ronnie tocando triângulo e cantando

Enfim, fiquei muito feliz pela experiência que tive naquela noite, de ter tirado muitas fotografias que espero que gostem, pela acolhida que recebi das pessoas que comemoravam o aniversário de uma educada e discreta senhora, mas  queria terminar contando uma história que sintetiza um pouco ou talvez tudo, na busca desse trio de porteiros parabianos tentando a sorte na música.

Sanfonista Cosme e a história do sábio...


Essa história quem me contou foi o sanfoneiro Cosme, em linhas gerais fala sobre um sábio que numa grande viagem foi acolhido por uma pequena e pobre família de camponeses. Eles tiravam todo e único sustento de uma vaca leitera, faziam doce, queijo e da venda desses produtos viviam... Eram pessoas muito simples e boas que muito encantaram o sabio, porém viviam numa grande privação e mesmo assim deram abrigo e alimento naquela noite ao viajante que foi embora e no dia seguinte econtrou um homem que disse que conhecia a família de camponeses e gostaria de poder ajudá-los, mas não sabia como. Foi aí que o sábio, após um momento de reflexão disse: roube a vaca. O homem relutou, mas cumpriu a recomendação. Anos depois o sábio voltou pela região em sua peregrinação sem fim e encontrou a mesma família na fartura. A subita adversidade obrigou-os a buscar meios alternativos de sobreviência, eles encontraram e properaram com essas novas formas de trabalho...







2 comentários:

TRIO ASAS DO FORRÓ .. voando é encantando.. disse...

quero agradecer ao sr.nilson a quem eu não tiver ha oportunidade de conhece..pela as fotos é a matéria isso só vem fortalecer nosso trabalho ....ass.cristiano

Nilson Soares disse...

Amigo Cristiano,

Senhor está no Céu, quietinho lá, espero que olhando por nós...

Na verdade quem tem que agredecer sou eu, sob diversos aspectos foi uma noite muito importante para mim,

abs,

Nilson Soares

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