São Sebastião, padroeiro da Cidade do Rio de Janeiro

cena do primeiro martírio de São Sebastição na cúpula exterior da Igreja dos Capuchinhos






"Antes de ser oficial do imperador, sou soldado de Cristo"
(São Sebastião)




Amigos,

Vinte de janeiro é o dia de comemoração do padroeiro da Cidade do Rio, São Sebastião, naturalmente é feriado e há por aqui grande homenagem religiosa.




detalhes frontais e posteriores da Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos



detalhe das fitas brancas e vermelhas na cúpula da Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos

Tinha planos de fazer um acompanhamento completo da procissão de São Sebastião, só que infelizmente por conta de uns contra-tempos limitei-me a algumas imagens na Paróquia de São Sebastião dos Frades Capuchinhos de manhã e  já ao final do dia na Catedral Metropolitana de São Sebastidão do Rio de Janeiro.


já cedo, na Tijuca,  os fiéis encararam o sol extenuante da manhã para ir as primeiras missas
da Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos


detalhe da placa que há na frente da Igreja de São Francisco dos Capuchinhos


procissão, festa cristã que se preze tem que ter barraquinha com venda de crucifixos, fitinhas...


muitas fitinhas, aliás, agora lembrei que além de não fazer nenhum
pedido pessoal ao santo também não comprei uma única fitinha...


havia comida também, mas, no meu entender, nada adequado ao clima,
como cachorro quente, caldo e milho, mesmo assim
 a vovó na foto ficou com água na boca...


a Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos estava tão cheia que não consegui
 entrar, para fazer esta foto tive erguer os braços e mirar as cegas a lente da câmera.


As cerimônias funcionam assim: Na Paróquia dos Frades Capuchinhos, no Bairro da Tijuca,  há tradicionalmente missas pela manhã até a tarde, quando por volta das 16:00 horas parte de lá uma procissão com destino a Catedral (Centro da Cidade) onde são encerrados os festejos com uma missa do acerbispo da cidade. As autoridades locais, prefeitos, secretários de estado e etc, costumam ir à missa das 18:00 horas que foi celebrada na Catedral pelo acerbispo do Rio Dom Orani João Tempestade.
detalhes de alguns afrescos da Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos

alguns Capuchinhos que vi por lá... o que conversa com o senhor de bermuda branca é o Frei Paulo Roberto


na parte posterior da Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos havia muita gente humilde,
 alguns bastante necessitados


mas todos estava ali por possuirem uma identidade cristã...

ainda que involutariamente as crianças estavam lá, e muitas!, participando das homenagens
da Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos

todo mundo com fé e de bem com vida, como essas senhoras 


essa senhora aqui também foi muito simpática e gostou de ser fotografada,
só depois durante a revelação que vi alguém lá atrás não queria ...


Pela manhã estava um dia quente na Tijuca; já tarde no Centro, continuava o calor, mas não sufocante como antes. 




gostei muito dessa foto, pena que foi um recorte de outra foto maior
 e  ela perdeu bastante a resolução com o zoom


entrada da cripta onde são depositados os restos mortais do Capuchinhos, a inscrição latina "beati mortui qui in domino moriuntur " significa : Bem-aventurados os mortos que morrem no senhor.

Não conhecia a Paróquia de São Sebastião dos Capuchinhos, segundo li, é de arquitetura "neo-bizantina", apesar de não conseguir sequer dar um passo dentro da igreja, de tão cheia que estava, mesmo a partir de sua arquitetura exterior pude jugá-la adorável. Apreciei ainda a bonita área dos fundos com belas sancas numas colunas de tons claros. No site da paróquia há boas fotos de seu interior, veja: http://www.igrejadoscapuchinhos.org.br/galeria/galeria.html

depois de certo momento reparei que ao lado de fora da Igreja de São Sebastião
 dos Capuchinhos estava acontecendo um outra celebração relisiosa, fiquei com pena
dos caras, deviam estar fervendo nessas roupas...


Depois em casa, descobri a razão, é que nas tradições de afro-brasileiras, São Sebastião é reconhecido também, mas como o Orixá Oxossi. Apesar de estarem do lado de fora da igreja, achei bacana a convivência, o sincretismo,
todo mundo se respeitando.


por falar em respeito, tanto nas imediações da Igreja de São Sebastião dos Capuchinhos
 como da Catedral Metropolitana do RJ, havia forte organização do trânsito pela CET-RIio e
 Guarda Municipal como policiamento preventivo da Policia Militar. Parabéns.


Lá além de fotos da paróquia tirei alguns retratos, as pessoas no geral foram muito receptivas. 


outro retrato que gostei, dessa senhora com traços fortes, bem incisivos


uma das coisas que venho aprendendo na fotografia é sobre a enorme fluidez que existe sobre a beleza, essas mulheres são realmente belas, especialmente porque jovens, mas eu também acho lindíssimas as fotografias de pessoas idosas como podem notar. Elas me parecem mais expressivas, mais fortes...


No que se refere propriamente ao Santo São Sebastião acho importante destacar duas coisa, a primeira é que segundo relatos históricos atribuidos a Santo Ambrósio, São Sebastião foi exemplo de alguém que assumiu uma identidade e foi as últimas consequências para defendê-la. Era oficial da guarda imperial romana, e, segundo uns relatos, seja por pregar o cristianismo aos soldados, ou ser complacente com os prisioneiros pregando-lhes também os ensinamentos cristãos, foi considerado traidor. Porque à época, por volta do  séc. III d.C., a Roma do Imperador Diocleciano não reconhecia o cristianismo como uma religião oficial. Então, como então justificar que um oficial tivesse piedade de prisioneiros e seguisse uma religião onde todos romanos, prisioneiros romanos, inimigos romanos eram iguais perante ao seu Deus ? Para uma mente limitada a lógica belicista romana o cálculo mais natural deste raciocínio seria encontrar indícios de traição e por isso São Sebastião foi perseguido. 




antes da missa na Catedral Metropolitana do Rio, uma multidão se reuniu na avenida Chile

para assistir a uma encenação da história de São Sebastião e ouvir palavras dos religiosos

havia muitas pessoas


cada uma com sua história, sua prece...


notei também que havia muitos religiosos presentes, não só organizadores, mas outros que pareciam vir
de outros cantos da cidade para participar das homengens a São Sebastião

as irmãs me pareceram estar me menor número
Condenado a pena de alvejamento por flecha, foi executado e abandonado por arqueiros que julgaram que ele havia morrido, mas ele se convaleceu dos ferimentos e na primeira oportunidade que teve foi   ter com o Imperador para reafirmar sua fé e denunciar os maus tratos para com os cristãos, sendo novamente condenado a uma pena física que desta vez lhe fez morto e lançado insepulto nos esgotos romanos. Posteriormente foi resgatado por conhecidos e enterrado numa catacumba com a data de 20 de janeiro de um ano provavelmente compreendido entre o final do século III e incío do IV. 




após a peça sobre história de São Sebastião começou a missa na catedral

detalhe da estátua em homenagem ao Papa João Paulo II

que agora está confinada na frente de um enorme arranha-céus...

fazia uma bela tarde

a multidão foi em calma entrando pouco à poco na Catedral

detalhe da cúpula da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro

Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro

detalhe da simplicidade do altar da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro

detalhe de um dos vitrais da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro


Enfim São Sebastião é o exemplo de uma pessoa que mesmo vivendo em tempos imemoriais e ao lado dos vencedores, sobretudo, é bom que se diga, porque clamar por piedade quando se é apedrejado, esquecido, é mais fácil do que quando se está integro e bem alimentado. Enfim, mesmo as condições favoráveis sob as quais vivia não lhe impediram de aflingir-se interiormente pela causa dos mais fracos e buscar na caridade, na responsabilidade pelo semelhante, ainda que um prisioneiro inimigo, um meio de estar em paz em sua fé.

Na verdade, comentendo aqui o grande risco de falar uma heresia, ou já falando, o oficial Sebastião jamais deveria ter sido santificado, porque tal título pode ter servido ao propósito, involutariamente, de consolidar  nos corações humanos a idéia de que pessoas comuns não são capazes de tal prova de lealdade ética, religiosa...só os Santos.

Daí é que extraio o segundo ponto: o reconhecimento de que os "Santos" não foram e não são "deuses". Eles nada mais representam que exemplos grandiosos de pessoas comuns que fizeram de sua vida um meio de maior aproximação com Deus, e por isso, o exemplo de suas vidas, não raro marcadas pelo martírio, como São Sebastião é aproveitado, reconhecido na condição de "santos" pela igreja . Foi essa minha conclusão ao ler uma interessante passagem no site da Paróquia de São Sebastião dos Capuchinhos, vejam:

 " (...) Na tradição bi-milenar da Igreja, o culto aos santos tem uma finalidade muito específica. eles não são adorados porque o único merecedor de nossa adoração é Deus, na pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Mas, como não aproveitar da experiência pessoal e comunitária de homens e mulheres (santos e santas) que de uma forma tão radical fizeram sua adesão a Jesus Cristo e a seu projeto de Reino, e que para isso muitos e muitas derramaram inocentemente seu próprio sangue? Seria jogar fora uma riqueza maior que o ouro e a prata: a riqueza da nossa fé. (...) " http://www.igrejadoscapuchinhos.org.br/historia/historia.html
O dia foi tão corrido, que nem um pedido ao santo pude realizar, acho que posso fazer um comum de talvez todos nós, que nossas vidas, nosso país, enfim, o mundo possa se tornar um lugar onde nossas idêntidades não precisem ser relatividas para preservar nossos empregos ou mesmo nossas vidas.


Será possível isto neste mundo?





2 comentários:

Vera Dias disse...

Excelente! Parabens

Nilson Soares disse...

Vera,

Obrigado pelas palavras gentis.

Eu sempre consulto o seu blog Monumentos do RJ, é muito preciso nas informações e de bom gosto.

Abs,

Nilson Soares

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